Quando sabemos que algo precisa mudar, mas ainda não conseguimos
Hoje quero falar daqueles momentos em que a clareza já chegou.
Sentimos e sabemos, que algo na nossa vida não está bem.
Pode ser uma relação, um trabalho, o ritmo em que vivemos, ou uma forma de estar que já não nos faz sentido. Identificamos isso com bastante nitidez. E, ainda assim, ficamos. Sem saber muito bem como mudar, por onde ir, ou o que fazer a seguir.
Este ficar não é falta de vontade, nem conformismo.
Na maioria das vezes, é porque mudar assusta.
Não conseguir mudar não é fraqueza. É, muitas vezes, uma forma de proteção.
Proteção contra o medo de perder ligação, de errar, de não aguentar, de ficar sozinho ou sozinha. Para muitas pessoas, ficar é o que o corpo conhece como seguro, mesmo quando a cabeça e o coração já se sentem cansados, submissos ou anulados.
E esta submissão, este anular-se, não aparece do nada. Tem história. E há histórias de vida em que adaptar-se foi sobrevivência. Calar foi proteção.
Aguentar foi uma forma de ser aceite, e, muitas vezes, foi confundido com amor.
Quando, mais tarde, a vida nos confronta com a possibilidade de mudar, o corpo reage como se estivesse em perigo. Surgem muitos questionamentos, muitos medos, e uma sensação profunda de entrar numa zona desconhecida.
Nesses momentos, parar também pode ser um lugar. Nem sempre estamos prontos para agir.
E isso não significa falhar o processo.
Às vezes, o trabalho passa primeiro por reconhecer o que está a acontecer, aceitar o ponto onde estamos, criar alguma segurança interna e ganhar recursos. A mudança começa antes da ação.
Na terapia, não se empurra a mudança.
Cria-se um espaço onde o corpo pode sentir-se visto, ganhar confiança e experimentar possibilidades. Quando há segurança suficiente, a ação tende a surgir de forma mais natural.
Se sabes que algo precisa mudar, mas ainda não consegues, talvez o corpo não esteja a pedir pressão, mas tempo.
C/ presença
Susana Amaral
Terapeuta Transpessoal